Último artigo de Hawking, publicado hoje, propõe nova teoria do Big Bang. Obra inédita afirma que universo é finito e menos complexo do que dizem as teses atuais!

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LONDRES – A teoria final do físico Stephen Hawking sobre a origem do universo, na qual ele trabalhou em colaboração com o professor Thomas Hertog, foi publicada nesta quarta-feira no periódico “Journal of High Energy Physics”. O trabalho, enviado para publicação antes da morte de Hawking no início deste ano, é baseado na teoria das cordas e prevê que o universo é finito e muito mais simples do que dizem as várias teorias atuais sobre o Big Bang.

As teorias modernas sobre o assunto afirmam que nosso universo passou a existir uma pequena fração de segundo após uma grande explosão, e, a partir daí, ele expandiu-se rapidamente, a uma taxa exponencial. Só que muitos teóricos defendem também que, uma vez iniciada essa expansão, existem algumas partes do universo onde ela nunca para — de modo que, globalmente, ela é eterna.

Com isso, a parte observável do nosso universo seria apenas uma área na qual a expansão terminou e estrelas e galáxias se formaram.

— A teoria usual da expansão eterna prevê que, globalmente, nosso universo é como um fractal infinito, com um mosaico de diferentes “universos de bolso” — disse Hawking em uma entrevista há cerca de seis meses. — As leis locais de física e química podem diferir de um “universo de bolso” para outro, e, juntos, todos eles formariam um “multiverso”. Mas eu nunca fui muito fã dessa teoria do multiverso. Se a escala de diferentes universos no multiverso é infinita, a teoria não pode ser testada.

Stephen Hawking é conhecido como um dos maiores reponsáveis pela divulgação da ciência mundo afora – Paul Jenkings
No novo artigo, Hawking e Hertog dizem que esse relato da expansão eterna feito até agora está errado. A finitude, para eles, é uma certeza.

— Nós prevemos que o nosso universo, nas maiores escalas, é razoavelmente suave e globalmente finito. Portanto, não é uma estrutura fractal — pontuou Hawking, na ocasião.

As principais teorias de Stephen Hawking

O professor Hertog, cujo trabalho foi apoiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa, falou pela primeira vez da nova teoria em uma conferência na Universidade de Cambridge, em julho do ano passado, organizada por ocasião do 75º aniversário de Stephen Hawking. Segundo ele, a teoria da expansão eterna, que supostamente se baseia na teoria da relatividade geral elaborada por Albert Einstein, acaba por contradizer as próprias ideias do físico alemão.

— O problema com a noção atual de expansão eterna é que ela supõe um universo que evolui de acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein e trata os efeitos quânticos como pequenas flutuações em torno disso — explicou Hertog. — No entanto, a dinâmica da expansão eterna acaba com a separação entre a física clássica e a física quântica. Como consequência, a teoria de Einstein se desfaz.

O QUE DIZ A NOVA TEORIA?

A nova teoria cosmológica proposta por Hawking e Hertog se baseia na teoria das cordas, um ramo da física teórica que tenta reconciliar a gravidade e a relatividade geral com a física quântica, descrevendo os constituintes fundamentais do universo como “pequenas cordas vibrantes”. A ideia é que o universo é um holograma grande e complexo: a realidade física em certos espaços 3D pode ser matematicamente reduzida a projeções 2D em uma superfície.

Hawking e Hertog desenvolveram uma variação desse conceito de holografia para projetar a dimensão do tempo na expansão eterna. Isso permitiu que eles descrevessem essa expansão eterna sem ter que confiar na teoria de Einstein. Na nova teoria, a “expansão eterna” é reduzida a um estado atemporal definido em uma superfície espacial no início dos tempos.

— Quando traçamos a evolução do nosso universo de trás para frente no tempo, chegamos ao limiar da expansão eterna, na qual nossa noção familiar de tempo deixa de ter algum significado — disse Hertog.

A “teoria da fronteira” anterior de Hawking previa que, se você voltar no tempo para o começo do universo, o universo se encolheria e se fecharia como uma esfera, mas essa nova teoria representa um passo à frente do trabalho anterior.

— Agora estamos dizendo que há um limite de tempo em nosso passado — disse Hertog.

Os dois estudiosos usaram sua nova teoria para obter previsões mais confiáveis sobre a estrutura global do universo. Eles previram que o universo que emerge da expansão eterna é finito e muito mais simples do que a estrutura fractal infinita prevista pela antiga teoria de expansão.

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Seus resultados, se confirmados por outros trabalhos, teriam implicações de longo alcance para o paradigma do multiverso.

— Nossas descobertas implicam uma redução significativa do multiverso, para uma faixa muito menor de universos possíveis — disse Hawking.


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